Nosso modelo político faliu?

Uma das frases que mais ouvimos na rua, há algum tempo, é: “O nosso modelo político está falido”. Essa frase ressoa pelos quatro cantos do Brasil, e não há como se negar, ela está certa.

Mas está certa por que? Afinal, o que faliu? A democracia, as instituições ou nosso modelo eleitoral? Basta uma simples adequação/alteração em nosso modelo eleitoral ou partidário (como se está propondo com a reforma política), ou precisamos de uma nova revolução? Ou, quem sabe, de um revolucionário novo modelo…

Penso eu que nenhum deles. Precisamos, tão simplesmente, de apropriação.

Verdade seja dita, há muito nos afastamos da política. Ela não faz parte da vida do cidadão comum, salvo quando assiste ao noticiário ou reclama dos políticos profissionais na mesa do bar. Mas a política em si, é uma estranha ao cidadão – e vice-versa. É uma parente distante de quem sabemos as últimas fofocas, mas que nunca encontramos pessoalmente para conversar.

Só lembramos dela na hora de reclamar e de votar “naquele candidato ali, tanto faz, nenhum presta mesmo…”. Especialmente nas eleições proporcionais como, por exemplo, para vereadores e deputados. Mais ainda, a verdade é que a maioria das pessoas sequer entende como funcionam essas eleições, com suas coligações, quociente eleitoral, etc..

Eu mesmo, durante anos na minha juventude, sequer votei. Preferia viajar com os amigos e depois arcar com a multa devida à Justiça Eleitoral. E é justamente este, no meu entender, o motivo da falência da política – o nosso afastamento.

E a mudança é fácil. Basta abrirmos a cabeça para o fato que quem faz a política somos nós, e não o inverso. Comecemos a agir politicamente, participando de Conselhos Municipais e Estaduais, dos Orçamentos Participativos, participando de sessões do Poder Legislativo, conhecendo os partidos políticos de nossas cidades e suas propostas – e, mais ainda, integrando esses partidos para que nossas idéias e propostas passem a ser consideradas. Vamos participar também de ONGs e campanhas que tenham como objetivo o desenvolvimento e a melhoria da cidadania e da política.

Vamos cortejar e nos apropriar do mundo político, que é muito maior que a eleição.